Antes atrelado a um objeto, valor da unidade de massa agora dependerá de uma constante da natureza
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| AS MUDANÇAS DO QUILOGRAMA PODEM NÃO FAZER DIFERENÇA PARA NÓS NO DIA A DIA, MAS MUDA E MUITO A VIDA DE NEGÓCIOS QUE DEPENDEM DE ESCALAS MINÚSCULAS (FOTO: FLICKR/MARCO VERCH) |
O IPK, também conhecido como "Le Grand K", era usado para calibrar cópias espalhadas pelo mundo, que por sua vez serviam para calibrar balanças de alta precisão científicas. Além dele, o cofre continha seis “testemunhas”, cópias oficiais que atuavam como garantia de que a massa do Le Grand K não havia mudado.

Nos últimos anos, a massa do IPK variou pelo menos 50 microgramas (milionésimos de grama) em comparação com as testemunhas. O problema é que não é possível afirmar que ele perdeu massa, porque o IPK sempre será (ou seria) um quilo. Os cientistas não sabem ao certo se ele perdeu ou ganhou massa, mas que o peso variou por causa de partículas imperceptíveis agregadas do ar durante suas limpezas. Mas isso, é claro, rendeu boas dores de cabeça, especialmente em indústrias que dependem de medidas pequenas e precisas.
A nova cifra que vai definir a unidade de massa é a constante de Planck, que relaciona o pesos a uma corrente elétrica, o que deve garantir que não mudará com o tempo. A aprovação levou tantos anos porque até pouco tempo atrás não havia tecnologia suficiente para colocá-la em prática. Agora, um aparelho chamado balança de Watt (ou de Kibble ou de potência) permite que o padrão do quilograma seja calibrado.
Para o seu dia a dia, nada. Mas, em âmbitos científicos, como o desenvolvimento de medicamentos, pode ser muito importante, visto que as medidas serão muito mais precisas — tanto as muito pequenas quando as muito grandes.
Ele vai continuar existindo, mas servirá como um padrão a mais, com uma incerteza que agora pode ser calculada.
