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Meu presente é um presente


 

Por Clebson N.
Artigo de opinião

 

Entre perdas e vitórias, sigo acreditando que estar vivo é uma dádiva divina. Em um mundo marcado por pressa, conflitos e incertezas, respirar mais um dia já é, por si só, um milagre que muitas vezes passa despercebido.

 

“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.”
— Efésios 6:11

 

Ao analisar o passado à luz da minha própria vivência, chego a uma verdade que hoje se impõe com clareza: meu presente é um presente. Essa afirmação não nasce da ausência de dor, mas da consciência de tudo o que foi enfrentado para que eu ainda estivesse aqui.

 

Nasci em 29 de abril de 1984. Entendo que esse dia foi — e continua sendo — especial e, ao mesmo tempo, desafiador. Quando Deus permitiu o meu nascimento, concedeu-me a oportunidade de viver intensamente. No entanto, eu não compreendia que essa intensidade se manifestaria em meio a lutas constantes, escolhas difíceis e batalhas invisíveis aos olhos humanos.

 

Na infância e na juventude, eu não entendia que a vida exige preparo. Um soldado não entra em combate sem treinamento, sem orientação e sem proteção. Ainda assim, naquela fase, eu não tinha plena consciência de que estava sendo preparado. Meus pais, com seus acertos e limitações, foram instrumentos nesse processo de formação, ensinando valores, limites e princípios que só mais tarde passaram a fazer sentido.

 

Com o passar dos anos, o campo de batalha se revelou. Vieram as decisões tomadas no calor das emoções, os caminhos escolhidos sem reflexão suficiente e as consequências inevitáveis dessas escolhas. Falhei. Errei. Sofri perdas irreparáveis. Aprendi, muitas vezes pela dor, que um soldado despreparado corre grandes riscos — e que algumas batalhas deixam marcas profundas.

 

Essas marcas, porém, também ensinam. Elas revelam a fragilidade humana, mas, ao mesmo tempo, evidenciam a graça divina. Foi no meio das quedas que compreendi que não se vence uma guerra sozinho. A armadura mencionada em Efésios não é apenas simbólica; ela representa fé, perseverança, disciplina espiritual e humildade para reconhecer que precisamos de Deus para permanecer de pé.

 

Hoje, olhando para trás, não romantizo o sofrimento, mas reconheço seu papel no meu amadurecimento. Cada perda me ensinou algo. Cada batalha vencida fortaleceu minha resistência. Cada batalha perdida me mostrou que ainda havia o que aprender. A vida não me tornou invencível, mas me tornou consciente.

 

Por isso afirmo, com convicção, que meu presente é um presente. Não porque tudo esteja resolvido, mas porque sobrevivi. Porque cheguei até aqui. Porque, apesar das falhas e tropeços, ainda posso lutar, aprender, recomeçar e agradecer.

 

Hoje, comemoro mais uma batalha vencida. Celebro a vida, a fé e a oportunidade de continuar. Mas não me iludo: enquanto celebro, sigo vigilante. O inimigo não descansa, e a guerra ainda não acabou. Permanecer vivo, firme e consciente é um ato diário de resistência.

 

Meu presente é um presente. Hoje, 29 de abril de 2025, eu ainda estou aqui. E estar aqui já é, por si só, uma vitória.

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